Novo Ensino Médio, self-service indigesto

Já houve tempo em que um filósofo disse que alguns nasceram para pensar e outros para trabalhar. Já houve tempo em que Ministro da Educação disse que a Universidade deveria ser para poucos. Na mesma linha houve um tempo em que um governo golpista chamou um ataque brutal ao ensino médio de “reforma”.


O tal Novo Ensino Médio tem dado o que falar. Diferente do caráter das outras reformas já realizadas nesta etapa da Educação Básica que possuíam um viés de organização das competências de cada ente federado, a reforma atual interfere de uma só vez no currículo, no administrativo, nos profissionais e na forma.


Baseada na ideia de que o Ensino Médio tinha pouca conexão com a vida prática e realidade dos estudantes, foi pensada uma estrutura de currículo “self-service” em que os estudantes poderiam escolher parte de seu percurso formativo em detrimento de disciplinas tradicionais como Artes, História e Filosofia.


Neste aspecto, a reforma já nasce com um dano muito grande. A Educação não pode ser interpretada somente como solução de problemas imediatos e a partir da percepção da escolha de adolescentes, ainda em formação. Serve também, dentre outras coisas, para ampliar o gosto pelo saber, a curiosidade, o abstrato para que façam sentido em outro momento da vida.


Por falar em escolha, os percursos formativos na prática não oferecem tal premissa, afinal, Educação para pobre é escolher pelo que tem. Ou seja, projeto sobre como fazer brigadeiro de colher ou sobre regras de empreendedorismo. Uma gama que esfarela o currículo a quase nada!


O desafio crucial da do Novo Ensino Médio foi ter colocado disciplinas que deveriam ser de contraturno em complementação aos estudos como eletivas na carga obrigatória. Reduz a mini formações capengas que não são nem técnicas como oferecidas nas ETECs e Institutos Federais e nem generalistas pois suprimem a formação básica. Os filhos da classe trabalhadora ficam conhecidos então como nem nem!

Por fim, é fato que o Ensino Médio precisa ser repensado, mas isso precisa ser feito a partir da escuta de diferentes movimentos e instâncias, com construção de escuta ampla e não pautado numa canetada ilegítima e que pode fadar gerações ao fracasso e abismo social.

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